sexta-feira, 31 de agosto de 2012

ARQUIVOS DO BLOG ANTIGO

Por motivos de "usabilidade", como diria o técnico Tite, estou migrando para esta plataforma. Aos poucos vou repostar aqui os principais artigos do meu blogue anterior.
Quem quiser ler na versão antiga, vá para http://fabioelionar.spaceblog.com.br/ e dê uma olhada.
Sugestões são bem vindas.

ENFIM, A REFORMA!


ENFIM, A REFORMA! (por Fábio Elionar do C. Souza)
Depois de sucessivos adiamentos, finalmente a reforma saiu do papel e tem agenda e prazo para se tornar realidade. A partir de 2009 começa o delicado processo de acomodação das novas regras para usuários antigos, estes, sim, os que terão que se esforçar para assimila-las.
O que os órgãos responsáveis precisam fazer agora, já que a reforma parece ter emplacado, é dirigir o processo de adaptação às mudanças ortográficas, que está previsto para se concretizar em 2012. Usar a mídia para esclarecimentos dos usuários e as escolas para a capacitação dos professores serão metas prioritárias e é por aí mesmo que a coisa deve andar.
Agora, é preciso observar que as mudanças não têm finalidades pedagógicas ou de socialização, entenda-se facilitação da alfabetização, do diálogo entre povos, da padronização das línguas... Nada disso. A reforma ORTOGRÁFICA é fundamentalmente uma medida de ordem política e econômica. Vamos explicar.
Primeiro, norma ortográfica é o conjunto de REGRAS que padronizam a ESCRITA de uma determinada língua, que é falada diversamente no tempo e no espaço por seus inúmeros e diferentes usuários. Qualquer lingüista (o cientista que investiga objetivamente o fenômeno da linguagem) sabe que há diversas peculiaridades no falar, causadas por motivos vários: as culturas de cada região; o grau de escolaridade e o nível sócio-econômico dos falantes; a idade etc. E não cabe a um cientista julgar ou impor seu padrão de "belo" e "correto", o que lhe cabe é explicar o funcionamento de algo, no caso, do uso da língua (recomendo a leitura de Marcos Bagno, Carlos Faraco dentre outros).
Portanto, a reforma não pretende interferir na fala de ninguém, nem na pronúncia, nem nas escolhas vocabulares e de organização (sintática). Assim, guarda-fato e guarda-roupa, fila e bicha continuam intocáveis. O que se pretende mudar e padronizar é o modo de grafar (registrar por escrito) as palavras.
Existem vários sons na língua portuguesa, muito mais que os 26 símbolos gráficos (letras) que os representam. E assim continuará. Por exemplo, o som /s/, de s-a-l-a, pode ser representado por S mesmo, por C (c-i-n-t-o), ou SS (p-a-s-s-a), ou SC (n-a-s-c-e-r), ou X (a-u-x-í-l-i-o). O que determina tais escolhas são “acordos” entre gramáticos, lexicógrafos, instituições culturais etc., que vão buscar justificativas várias para essa ou aquela “convenção” (que pode ser a etimologia da palavra, uma regra por analogia, uma regra de aportuguesamento e por aí vai).
Então voltemos lá em cima. A mudança será política porque viabilizará a troca e expedição de documentos unificados (entenda-se OMC, ONU, UNESCO etc.) dos países de língua portuguesa, vistos, aí sim, como blocos mais coesos do que atualmente parecem ser.
A questão econômica também é importante, uma vez que um livro publicado aqui ou em Portugal precisa ser "traduzido" ao ser importado. Isto faz aumentar os custos de produção e emperra uma troca maior de produtos culturais (dvd's, livros, jornais etc.). Lógico que devem estar articulando formas de negociações com facilidades alfandegárias, o que é uma tendência atual em certas relações. Dependerá aí das posturas de cada país. Por sua vez, acredito que, posto em prática, uma nova reflexão entrará em cena: até que ponto a ortografia unifica de fato. Pois a tal diferença bicha/fila e suas parentas é que, de fato, peculiarizam o português de Portugal e o do Brasil. Mas uma coisa de cada vez.
Acho importante que tudo isso ocorra, caberá aos usuários da língua ESCRITA adaptarem-se às novas regras. Minha filha, de dois anos, aprenderá o abc com 26 letras e isso para ela será a coisa mais normal do mundo, como para alguns de nós é normal usar o trema, como para alguém dos anos sessenta era comum escrever "vêzes", e para alguém do início de século "pharmácia" era o certo. Daí os lingüistas afirmarem que a noção de ERRO e ACERTO só é objetiva e válida no plano ortográfico e não no prosódico. Às vezes é difícil aceitar isso, mas os primeiros indivíduos a tomarem contato com a teoria heliocêntrica devem também ter ficado indignados.
Ortografia não é ciência, é lei, é regra instituída. Digo sempre que ficar pelado não é algo "errado", afinal não há como tomar banho de roupa (pelo menos não tão bem), o que é "errado", por contrariar uma lei, é ficar nu em público (ainda assim, se o público não estiver de acordo). Ou seja, o erro não é do ato, mas do contexto de uso, uma vez que o uso é regulamentado.

JOGO DA REFORMA ORTOGRÁFICA


A reforma está aí e todo mundo já está se preocupando em aprender as novas regras e até saber o porquê da mudança. Mas não é preciso pressa, pois ainda há tempo para adaptar-se.
Para ajudar, elaboramos um questionário da reforma ortográfica. Teste seu conhecimento sobre o assunto. Responda as perguntas e confira o gabarito no fim do artigo.
JOGO DA REFORMA ORTOGRÁFICA
1) Qual país abaixo tem como língua oficial o português?
a) Paraguai
b) Angola
c) Africa do Sul

2) A partir de que ano as regras antigas não poderão mais ser utilizadas?
a) 2010
b) 2011
c) 2012

3) Quantos países formam a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)?
a) doze
b) quatro
c) oito

4) Qual país abaixo não tem o português como língua oficial?
a) Guiné-Bissau
b) Serra Leoa
c) Timor Leste

5) Qual é o número aproximado de falantes da língua portuguesa?
a) cem milhões
b) cento e setenta milhões
c) duzentos e quarenta milhões

6) Em que ano ocorreu a última grande reforma no Brasil?
a) 1910
b) 1971
c) 1988

7) Em que ano foi criado o atual acordo ortográfico?
a) 1990
b) 2000
c) 2008

8) Em Portugal chama-se "autocarro" o que aqui chamamos "ônibus". Pergunta-se: na frase "Fiquei esperando na paragem", a palavra "paragem" significa:
a) ponto
b) fila
c) calçada

9) Com a reforma, a palavra "ação" passará a ser escrita em Portugal desta maneira. Atualmente ela é escrita como:
a) hação
b) assão
c) acção

10) Qual dos argumentos abaixo é justificado para justificar a reforma?
a) Unificar o modo de falar dos brasileiros e portugueses.
b) Facilitar a redação de documentos em tratados internacionais e no comércio de livros.
c) Simpĺificar o modo de escrever, que passa a ser igual ao modo de falar.

11) Quais as palavras que perderam o acento agudo?
a) as oxítonas com ditongo aberto.
b) as paroxítonas com ditongo aberto.

12) Na frase "Juca e Paula têm afeto pelos mais velhos", a palavra "têm", de acordo com a reforma ortográfica, está certa ou errada?
a) certa
b) errada

13) Na frase "O menino perdeu a bóia na piscina", a palavra a ser corrigida é:
a) perdeu
b) bóia
c) piscina

14) Qual das palavras abaixo perdeu o acento agudo?
a) herói
b) você
c) estréia

15) Nosso alfabeto passou a ter quantas letras?
a) 23
b) 24
c) 26

16) Quais são as letras que entraram em nosso alfabeto?
a) w
b) w; y
c) k; w; y

17) A frase "Ontem ele não _________ comparecer à aula" deve ser completada com:
a) pode
b) pôde
c) póde

18) Em qual opção todas as palavras estão de acordo com a nova regra?
a) autorretrato; auto-ajuda;
b) contra-regra; micro-ônibus;
c) micro-ondas; antirrugas.
GABARITO
123456789
BCCBCBAAC
101112131415161718
BBABCCCBC

TCC (parte 3) - O SUMÁRIO PRÉVIO


O SUMÁRIO PRÉVIO
Depois de escolher o assunto, de transformá-lo em objeto de pesquisa e esboçar o método que irá orientar a pesquisa é hora de planejar os próximos passos, isto é, de estabelecer as etapas de trabalho.
Um "sumário prévio" ajuda muito nessa hora, pois nele esboçamos os capítulos que achamos necessários para dar conta de toda a pesquisa.Com isso, organizamos a ordem das leituras, análises e redações necessárias para cada etapa da pesquisa. Mas é bom deixar claro que ao fim da redação da pesquisa o sumário provavelmente estará muito diferente do que fora pensado, pois durante a pesquisa é que vamos percebendo as nuances do objeto e adequando a redação às mudanças que se impõem.
Vamos imaginar um exemplo: o assunto pesquisado é a representação do escravo no poema "Navio Negreiro", de Castro Alves.
Tal abordagem obriga o estudante a coletar dados (bibliográficos) sobre:
- o autor (vida e obra);
- o estilo de época (Romantismo, 3ª geração) e o "condoreirismo";
- os fundamentos do discurso poético;
- estudos sobre a poética do autor, em especial, sobre o condoreirismo e o poema em questão;
- o contexto histórico, em particular, a situação do negro brasileiro no século XIX.
 A partir destes dados o sumário já pode ser elaborado. Veja um exemplo:
1. Introdução (escrevere por último)
2. Castro Alves, Romantismo e Poesia Social
3. O negro escravizado no século XIX
4. Navio Negreiro: o olhar poético sobre o negro escravizado
5. Conclusão
6. Referências
A função do sumário-prévio é orientar as leituras e fichamentos, assim como organizar as etapas da redação do TCC.
Se o capítulo 2 (o primeiro a ser escrito) é sobre o autor e o contexto literário, deve-se separar todo o material relacionado a este conteúdo - devidamente fichado - e fazer o esboço das partes do capítulo. Por exemplo, este capítulo pode ser pensado assim: biografia do autor e seu engajamento com a causa abolicionista; a obra do autor; o romantismo e a poesia social.
A cada capítulo o procedimento é o mesmo.
Até a próxima dica.

TCC (parte 2) - A ESCOLHA DO TEMA


A ESCOLHA DO TEMA

Para o aluno, um dos momentos mais angustiantes na construção de uma pesquisa acadêmica é a escolha do tema e a preparação do projeto inicial.
É normal nesse momento o aluno sentir-se "perdido", uma vez que, ao mesmo tempo em que há tantos assuntos interessantes, ele não imagina como isso pode se transformar em uma dissertação com suas muitas páginas, regras de construção e referências variadas.
Vamos então tentar entender um pouco mais sobre a tese, o tema e a preparação do projeto.
De acordo com Umberto Eco (2000), “elaborar uma tese significa:
1)    identificar um tema preciso;
2)    recolher documentação sobre ele;
3)    pôr em ordem estes documentos;
4)    reexaminar em primeira mão o tema à luz da documentação recolhida;
5)    dar forma orgânica a todas as reflexões precedentes;
6)    empenhar-se para que o leitor compreenda o que se quis dizer.


Ao redigir uma redação estamos desenvolvendo importantes habilidades para a nossa formação, dentre elas a pesquisa, a leitura e a interpretação, a ordenação das idéias e a expressão escrita. Assim, “não importa tanto o tema da tese quanto a experiência de trabalho que ela comporta” (ECO, 2000, p. 05).
     
Recomendo que a escolha do tema leve em consideração alguns aspectos que podem facilitar todo o resto do processo. Desse modo, escolha um assunto:
a) que seja de seu interesse (é mais fácil estudar sobre algo que gostamos);
b) que você gostaria de saber mais, de preferência, que seja algo que você possa aproveitar após sua graduação;
c) sobre o qual você já leu, pesquisou e, se possível, que você já tenha fichamentos e apostilas relacionados a ele (economiza tempo de estudo trazer para a pesquisa um volume de leitura já adquirido, pois ter que tratar de um assunto do "zero" requer tempo para as leituras básicas, que já poderiam ter sido feitas).
Continuando com as dicas de Eco, veja as quatro regras básicas para a escolha do tema:
1)    que o tema responda aos interesses do candidato (perfil cultural, político, intelectual etc.);
2)    que as fontes de consulta sejam acessíveis;
3)    que as fontes de consulta sejam manejáveis (ou seja, que o aluno tenha capacidade para processar tais fontes);
4)    que o quadro metodológico esteja ao alcance da experiência do candidato.


Eco ainda comenta as "possibilidades de abordagem temática:" temas teóricos, históricos, antigos, contemporâneos, mensuráveis etc.
  
Tese teórica: “é aquela que se propõe atacar um problema abstrato, que pode já ter sido ou não objeto de outras reflexões: natureza da vontade humana, o conceito de liberdade, a noção de papel social (...)” (ECO, 2000, p. 11).
Implica em um conhecimento abrangente e especulativo.
Tese histórica: o tema aqui é abordado a partir de um corpus limitado no tempo e espaço, sendo assim, parte-se daquilo já dito sobre o tema e acrescenta-se especulações próprias.

Tese experimental: a partir de uma visão abrangente sobre um determinado tema, colhe-se o material “in loco” para posteriores investigações.
Outra dica preciosa é a que recomenda evitarmos a tese panorâmica e ir em busca de uma tese específica.
Os exemplos abaixo partem de uma tese panorâmica para chegar a uma tese específica (atenção: são exemplos ilustrativos)
a) assunto: a coesão textual;
    => a coesão textual nas escolas;
    => a coesão textual na 5ª série do ensino fundamental;
    => o processo de coesão textual na produção escrita de alunos da 5ª série da escola X, na rede pública de ensino;
b) a colocação pronominal;
    => o uso da colocação pronominal na imprensa;
    => o uso da colocação pronominal na seção de esportes do jornal Diário do Vale (Volta Redonda) no primeiro mês do ano X;
c) a personagem feminina na literatura;
    => aspectos da construção da personagem feminina na literatura brasileira;
    => (...) na obra de Machado de Assis;
    => (...) em Dom Casmurro e O Cortiço...
Isto é, ao pensar em um assunto é preciso tentar adaptá-lo às regras acima, para transformá-lo em objeto de investigação.
Qualquer dúvida, deixem seus comentários aí embaixo.
REFERÊNCIAS
ECO, Umberto. Como se faz uma tese. São Paulo: Perspectiva, 2000.

TCC (parte 1)


OS PRIMEIROS PASSOS DE UMA PESQUISA ACADÊMICA

Na minha rotina profissional, constantemente auxilio alunos de graduação na construção do projeto de pesquisa exigido ao fim do curso. Esse é um momento em que as dúvidas e indecisões predominam sobre as certezas e definições. O que, diga-se, é o normal.
Particularmente, tenho para mim que a construção de uma pesquisa é um dos momentos mais ricos e produtivos da vida de um graduando. O esforço em elaborar com objetividade as etapas de uma pesquisa é o principal responsável pelo amadurecimento intelectual do aluno. Mas que tal etapa muitas vezes é angustiante, não posso negar. Mas é uma angústia saudável, daquelas que nos incitam à superação.
Abaixo, teço comentários simplificados sobre os quatro pontos básicos da construção de uma pesquisa. Recomendo a leitura do livro "Como se faz uma tese", de Umberto Eco (São Paulo: Perspectiva, 2000) e de outros livros de Metodologia Científica para auxiliar no processo.
Os quatro pontos básicos dizem respeito ao início da pesquisa. Superada esta etapa, ou concomitante com ela, deve-se pensar no sumário prévio (o roteiro inicial das partes da pesquisa), fazer as leituras fichadas dos livros de referência, começar a tarefa de redigir os capítulos (é aqui que, em vão, lutamos com as palavras, como disse o poeta), fazer e refazer essas  etapas e buscar o auxílio do orientador.
Espero que essas dicas ajudem a quem precisa.
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    É importante lembrar que a exigência de uma monografia acadêmica tem por objetivo verificar se o aluno, no ano final de sua graduação, assimilou os procedimentos do método científico e se ele é capaz de aplicá-los a sua área de investigação. Muito mais que o conteúdo pesquisado, o que interessa neste momento é construir uma pesquisa - em forma de monografia (ou artigo científico) - na qual seja possível para seus leitores (em especial, os avaliadores) identificar com clareza as partes essenciais a uma pesquisa acadêmica.
    Veja abaixo uma forma simplificada para pensar essas partes no caso de uma pesquisa em Literatura:

a) o “corpus”: segundo Márcia Benetti (UFRGS) o “corpus é o recorte arbitrário de elementos que o pesquisador define para que, ao aplicar sobre eles uma metodologia, possa atingir o objetivo”, isto é, são os elementos que servirão de base para a pesquisa, por exemplo, os livros (e também documentos, páginas eletrônicas etc.). Se uma pesquisa pretende investigar certas personagens de um romance, temos o romance em si como o corpus principal. Caso pretenda-se investigar o modo de caracterização da seca nos romances do chamado “Regionalismo de 30”, os romances escolhidos para a investigação constituem o corpus principal (sejam eles dois, três ou dez).

b) a “hipótese”: é uma “tese” que ainda não emergiu, é uma afirmação possível de ser verdadeira, mas que precisa ser comprovada. Na pesquisa literária, nem sempre partimos de uma hipótese, pois muitas vezes, o aluno ainda não tem fundamentação teórica suficiente para formular uma hipótese. Por isso, aconselho que se pense um fenômeno de investigação, um tema e, a partir daí, inicie-se o processo de fundamentação. Desse modo, em meio à pesquisa fica mais claro estabelecer uma hipótese. Em um dos exemplos acima poderíamos sugerir que em “Lucíola”, de José de Alencar, o fato de o narrador Paulo (também personagem) relatar sua experiência amorosa diretamente para uma senhora da sociedade fluminense (ou seja, a “narratária”) é um recurso técnico que funciona como controle moral, isto é, como censura, para o relato em si. Para transformar tal hipótese em tese, ou seja, em um argumento fundamentado, é preciso valer-se de instrumentos teóricos que corroborem a afirmação.

c) o “método”: os instrumentos teóricos citados acima são o que podemos chamar de método. Para se chegar ao objetivo da pesquisa, ou seja, à comprovação da hipótese, é preciso utilizar-se de um “meio”. Este meio são os recursos utilizados para fundamentar os argumentos. A pesquisa bibliográfica é um meio, a análise dos elementos narrativos, a teoria da análise do discurso, os estudos sociológicos e históricos sobre a mulher do século XIX, a biografia sobre o autor e textos escritos pelo próprio, todos esses recursos são meios para se chegar a conclusão desejada.

d) o “objeto”: conforme percebemos no percurso até aqui esboçado, a partir da hipótese aplicada a um “corpus” principal pretende-se atingir um objetivo. Desse modo, o objeto da pesquisa científica não é o material estudado (um romance, por exemplo), mas o “recorte” teórico-argumentativo construído pela reflexão. Num dos exemplos acima, “os efeitos de sentido construídos por determinados modos de representar  em linguagem literária um fenômeno natural, social e político (a seca e seus efeitos) em romances de um determinado período (os anos 30)” é o objeto de fato da pesquisa. Observe a diferença deste objeto com os romances em si, que constituem o corpus principal.

    Do que foi exposto acima é possível perceber que a construção dessas partes não se dá de forma sequencial, isto é, não pensamos em “a”, depois em “b”, “c” e “d”. De fato, essas partes vão sendo pensadas e articulam-se simultaneamente, sendo que uma afeta e modifica a outra.

    Agora é com vocês. Pensem, reflitam e procurem um orientador para auxiliá-los.